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  • Barbara Leite Liberato

Preconceito com crianças atípicas

Preconceito com crianças atípicas em escolas convencionais é mais comum do que se imagina, Perde a criança, a escola e a sociedade, quando deixam de acolher. Para além de ser um direito da criança, a escola perde a oportunidade de mostrar a que veio: educar e ensinar para todos sobre a diversidade, a tolerância, a diferença, o respeito e o amor! Um passo importante para a convivência social!


Crédito: Arquivo/Agência Brasil www.novaescola.org.br



Todos sabemos que existem leis para o acolhimento e recepção de crianças autistas em escolas convencionais, como por exemplo, a Lei nº 12.764 de 2012, que institui a "Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista". É uma medida que faz com que os autistas passem a ser considerados oficialmente pessoas com deficiência, tendo direito a todas as políticas de inclusão do país - entre elas, as de Educação.


Art. 3º São direitos da pessoa com transtorno do espectro autista: IV - o acesso: a) à educação e ao ensino profissionalizante; ( Lei nº 12.764 de 2012)


Porém, como tem sido isso na prática? Essa lei tem sido realmente seguida? Você, já passou por alguma situação de preconceito dentro deste contexto em escolas convencionais?


Nós passamos recentemente por algumas situações neste sentido e não foi nada bom!


Por motivos pessoais tivemos que mudar as crianças de escola. De início, qualquer família de criança autista, já começa a se preparar para isso com muita antecedência, seja no preparo da criança seja na busca por novas escolas. E assim fizemos, em novembro do ano anterior já comecei buscar indicações, não consegui. Então passei a buscar escolas próximas da residência, das 3 escolas comecei o contato pesquisando no site e redes sociais da escola para ter uma noção geral. Depois fiz o primeiro contato pelo WhatsApp e telefone sempre especificando que seria para 2 crianças e relatando a idade escolar e a condição especial da Mariane. No primeiro contato tudo muito certinho por parte das escolas. Então marcamos as visitas. Em ambas, ao chegarmos e relatarmos tudo novamente sobre a idade escolar e autismo, a conversa já mudava no mesmo instante.


Os profissionais demonstram claramente o despreparo e o medo de lidar com crianças atípicas. Aí vinham os questionamentos: mas ela tem laudo? Hum... mas ela é boazinha né? Ela é calminha?


Nossa! isso não é bom de se ouvir. Mas a gente aguenta né? Mas calma, que ainda piora.


Depois disso, começam as solicitações dos laudos inicial e atualizado, relatórios de clínicas e avaliação atual dos profissionais das terapias comprovando que a criança autista vai dar conta do material adotado na escola.


Durante esse processo de organização de toda essa documentação extra solicitada chega o contato ou a simples mensagem: mas qual é a turma e horário dela mesmo? É que justamente nessa turma e nesse horário já tem 2 atípicos (autista, TDH...) o limite de crianças especiais que a nossa escola suporta.


Um NÃO desse já não é fácil, e nós recebemos 2! Agente se sente excluída, se sente deixada de lado, sente que não querem nosso filho, que amamos tanto, no convívio deles. Sem contar os olhares, os comentários quando a gente passa. O despreparo dos profissionais ao falarem com a criança. Já temos mais de 5 anos de estrada no autismo e nas terapias, contato com outras famílias de autistas e, de fato, nós sabemos quando não somos acolhidos.


E o desencorajamento? "Será se ela vai dar conta do nosso material"? Frase dita sem ao menos conhecer a criança e suas habilidades. Sequer há uma leitura de todos os detalhes dos relatórios que passamos que vão muito além dos laudos. Isso tudo por que a gente não exige um AT (acompanhante terapêutico) nem da escola e nem do plano de saúde, o que é um direito nosso. Até o momento ainda não houve a necessidade com nossa filha, mas temos que ter um acompanhamento direto e constante.


Enfim, encontramos uma escola que tinha vivência com crianças atípicas e muitos alunos autistas. Depois que deu tudo certo, aí passamos para o contato mais específico com a coordenadora pedagógica e professora da turma.


Eu sei que se escuta muitas histórias sobre isso e que parece muito distante, mas não é. Isso é real! Essa luta é constante! Basta, não é? Não precisamos nos esconder. As escolas, os profissionais que precisam estar prontos para nos receber, para acolher as famílias e as crianças atípicas.



E seguimos firmes e fortes, marcando presença e acompanhando de perto a educação fornecida aos nossos filhos especiais.


Espero que tenham gostado.

Um abraço forte e um cheiro de mãe!


Com carinho,

Karuane Araújo





Karuane Araújo é mãe da Mariane 8 anos autista verbal e do Miguel de Maria 2 anos, de temperamento forte, esposo do Bruno Araújo, aplicadora da parentalidade positiva na educação das crianças.

Karuane Araújo

Engenheira de alimentos - Mestre em Ciências da Saúde

Tel: 099 991081406 CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/1115832947713877

@karuanearaujo




Clica aqui para assistir a matéria na íntegra ou ouvir enquanto está a fazer qualquer coisa!








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