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  • Barbara Leite Liberato

Perdas e Ganhos

Erros são excelentes oportunidades de aprendizagem. Nem sempre é possível salvar os filhos de todas as encruzilhadas. E o que eles aprendem com isso? Habilidades de Vida.

Fotografia: Mari Vilela


Já ouviu esta expressão? Mineiro não perde o trem! Nos dias de hoje seria: Mineiro não perde o avião?!


O filho mais novo despede dos pais no aeroporto depois de um feriado intenso em terras mineiras. Ele retornaria para casa sozinho em outro estado, uma viagem curta, mas com conexão. A mãe dá mil orientações: - Veja se está com os documentos! Você tem dinheiro suficiente? Fique atento ao portão de embarque; eles podem mudar de última hora. Não fique sem comer! Cuidado com estranhos. Quando chegar pegue um táxi e nos dê notícias.

Ela então abençoa o filho, com um longo abraço e um beijo. “Em breve estaremos juntos”. O pai e o irmão se limitam aos abraços e a um “Deus lhe abençoe”. O discurso é um predicado da mãe. Eles esperam até perdê-lo de vista. Então, eu, a mãe respiro fundo, com alívio. Ele já foi, deu tudo certo, embarcou.

Lá pelas tantas da madrugada, o celular da mãe registra uma notificação. Quando se tem um filho em trânsito o sono é leve como uma pluma. Levanto rápido e o cérebro registra: - Uai, era para estar no ar agora!? O irmão que dormia ao lado resmunga: – Não acredito que ele perdeu o avião!

Mensagem: - Mãe deu ruim... (eu então pensei: “nem tão ruim, ele está em terra pelo menos, ufa”!)

Esqueci de uma recomendação muito importante: “Não durma, fique atento”. O garoto dormiu profundamente, apagou embaixo das cadeiras do aeroporto.

Pronto! Acordei! Estou em alerta! O que devo fazer para salvar meu filho? Nada! Ele já fez tudo! Quando entrou em contato estava com tudo resolvido. “Mãe já resolvi aqui, vou para um hotel, amanhã embarco à tarde, a companhia vai cuidar e pagar tudo. Vou jantar, (foto da comida), estou no hotel, (foto do hotel). Dia seguinte, avisa que está retornando para o aeroporto e vai aguardar na sala VIP.

No horário previsto chega no destino, desta vez sem surpresas. Perdeu a conexão, mas ganhou aprendizagem. Saber se virar em situação de estresse.


Fotografia: Mari Vilela


O Filho do meio é convidado para ir ao nordeste visitar uma prima, um mês de antecedência compramos as passagens. No dia do embarque chegamos no aeroporto na hora prevista, no check in não encontram a passagem. Fomos para o escritório da companhia, muitas ligações, atendente super gentil e empenhado em ajudar, mas nada! Não tem passagem! Então sugere: “olha no seu e-mail”. Qual a surpresa? A companhia mandou vários e-mails avisando que a reserva expirou, não foi concluída. Ele checou os e-mails? Não! Achou que era propaganda. Perdeu!

O atendente sugeriu outro voo, muito caro, inviável. Outra companhia, quem sabe? As opções eram ônibus ou voltar para casa. Deixamos ele agir. Pesquisou ônibus, avião de outra companhia; e em meia hora desenrolou o assunto. Conseguiu a passagem de avião e ônibus para chegar ao destino. Ele teria que voltar de ônibus, afinal ele tinha que ir com o mesmo valor que gastaria na passagem expirada. Perdeu a passagem, mas ganhou aprendizagem e atenção. Refez a rota.


O filho mais velho, 6 meses no intercâmbio, passagem de volta marcada na agenda do google, achou que era um dia, mas na verdade era um dia antes, quando se deu conta me ligou.

- Mãe você não acredita ..., nem precisou terminar a frase porque eu já havia entendido tudo.

Com cinco euros no bolso e sozinho, ele tinha que ser racional. Foi para o aeroporto descobrir o que poderia ser feito, viu as melhores opções e as mais baratas. Resolveu. Voltou para o hostel, era madrugada e a bagagem estava trancada. Ele liga para o gerente, espera por ele, pega a bagagem e corre para aeroporto. Embarcou, sufoco né! Perdeu a passagem, perdeu uns reais das suas economias, ganhou confiança. Sabe o valor de cinco euros.

Se disser a vocês que reagi com serenidade nas situações estou mentindo, na hora fiquei brava, pensei em culpá–los pelo inconveniente, falta de atenção, enfim. Não fiz nada disso, não teve tempo, a reação foi rápida por parte deles. Como diz Brené Brown, “quando errar não é uma opção, não existe aprendizado, criatividade ou inovação.” Os erros nos fazem desenvolver, e a família nos dá segurança diante dos desafios.

Olhando agora não vejo perdas, mas muitos ganhos. Resolver problemas dos mais simples aos mais complexos não se aprende da noite para o dia e nem dentro da bolha. É preciso viver, arriscar, ousar, ser criativo, lidar racionalmente com adversidades e frustações.

Se vão perder outros “voos”? Quem sabe!

Se vão ganhar novas experiências? Muitas!

Mineiro não perde o trem, ele muda de rota. Ele não perde a viagem, porque viver é uma aventura fantástica!



Dica de Leitura: A coragem de ser imperfeito - Brené Brown







Sobre Maria Marquez

Sou uma menina que sempre quis casar e ser mãe, hoje uma mulher realizada, casei com meu amor de adolescência, sou mãe de três garotos (Raul 23; Artur 20; Davi 18), pedagoga, secretaria do agronegócio, voltando às raízes, morando na fazenda, me redescobrindo e experimentando um universo de novidades.




Maria Marquez Gouveia Vilela

Pedagoga

Secretária do agronegócio da família

(99) 991318999 - mariamarquezgv@gmail.com

@mariamarquez9128

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