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  • Barbara Leite Liberato

O que ensinamos aos nossos filhos quando os punimos?

Educar sem punir é o quinto pilar da Parentalidade Positiva. Ele é o último pilar exatamente porque à medida que as relações com as crianças são estabelecidas a partir de diálogo e respeito mútuo, não há que se falar em punição. Gritos, palmadas, castigos e humilhações já não são uma alternativa.



Após um dia estressante, com muita carga mental para administrar no trabalho, alguns afazeres domésticos acumulados, três filhos – Miguel 11 anos, Sofia 7 anos e Joaquim 3 anos - que demandavam acompanhamento; uma relação a ser cultivada com o marido e sem tempo para ficar sozinha com ela mesma - devido ao período de pandemia que estavam atravessando naquele período, Thereza estava a um passo de explodir.

Eis que de repente ela escuta os gritos no final do corredor, as duas crianças menores simplesmente estavam se pegando, gritando e chorando - tudo ao mesmo tempo. Thereza então vê a filha dando um tapa na cara do irmão menor e fica tão angustiada com aquela situação que automaticamente solta alguns gritos que deixam as crianças paralisadas. Enquanto ela berra, dá uns dois ou três tapas em Sofia e emenda que os dois ficarão no dia seguinte sem assistir televisão.

As duas crianças agora estão aos prantos e, enquanto Thereza pega o menor no colo, Sofia soluça e diz para mãe que ela é muito burra, chata e que a odeia por isso e odeia também o irmão.

Thereza deixa o caos por um momento nas mãos do marido, e vai tomar banho. Lá no chuveiro, longe dos olhares dos filhos, ela chora. Se arrepende de como solucionou o conflito e ao mesmo tempo sente culpa por não ter tanto tempo disponível para ficar com as crianças. Ela se sente sobrecarregada, se lembra da própria infância – de quando a irmã mais velha batia nela. E tal como na infância, ela não tem ninguém ali para lhe oferecer um colo.


O rio se torna mais fácil de ser navegado quando nós, os pais, conseguimos entender o que sentimos e então cuidamos dos nossos sentimentos.

Quando a gente pune, ensinamos o que aos nossos filhos? NADA.


Apenas repassamos a eles as dores que são nossas. Somos incapazes de lidar com as emoções que sentimos – raiva, tristeza, frustração, medo, culpa – então ou partimos para cima das nossas crianças com violência ou gritamos e emendamos que ficarão sem o videogame, o brinquedo, o chocolate, a festa de aniversário do melhor amigo ou sem ir na casa da vovó. Nessa hora, quais os sentimentos que invade o seu coração?


As ameaças, os castigos, os gritos e as palmadas não vão conter o mal comportamento. Ou ele vai piorar ou vai ser repetido várias e várias vezes. Uma série de dúvidas percorre a cabeça dos pais nesse exato momento: “E se ele não obedecer, o que vai se tornar quando crescer?”; “Mas se eu não castigar, ela não vai aprender nenhuma lição!”; “A mamãe teve que te dar umas palmadas porque te ama.” Por mais eficazes que possam parecer, nenhum tipo de punição é eficiente a longo prazo.


Para se livrar do problema – choro, birras, agressividade, desobediência – o adulto ao invés de ensinar e educar com responsabilidade prefere interromper de forma agressiva aquilo que está incomodando. Sim, ele conseguirá silêncio e obediência. E este resultado é mais rápido de ser alcançado. Ao passo que sentar, ouvir, dialogar, acolher os sentimentos da criança, dialogar denovo, ouvir aquilo que não queremos ouvir, fazer combinados, ensinar valores requer mais tempo e disposição que o adulto não está disposto a ofertar.

Abrir mão da punição é um convite ao adulto para que ele abra mão do controle e possa conduzir as crianças a encontrar outros caminhos pautados em aprendizado, escolhas e erros. Filhos não precisam ser punidos para aprenderem, nem tampouco precisam sofrer com os próprios erros. Eles precisam aprender a refazer os próprios passos sendo encorajados pelos pais a fazer esse percurso. Então, colherão pelo caminho aprendizados que jamais se esquecerão, tais como: dialogar, assertividade para manter a própria opinião, responsabilidade, saber ceder, respeito, raciocinar por ele mesmo, saber fazer diferente, ter iniciativa, entre outros.


Uma criança que não vai bem na escola, não precisa ficar sem videogame. Ela precisa estudar mais. Fazer alguém comer uma comida fria e à força, não vai fazer com ela sinta que aquele alimento é gostoso e não vai despertar o prazer pela comida. Quando seu filho quebra um copo e ouve um grito cheio de fúria, não vai fazer com ele tenha mais equilíbrio ao manipular aquele objeto novamente. Quando a punição está ausente, a criança se sente melhor diante dos erros que ela comete. Logo, como não existe culpa pelo fracasso, ela é capaz de solucionar o problema por ela mesma.


“Educar significa orientar, corrigir, encaminhar e não pressupõe punição. Com efeito, quando usamos esses métodos mais agressivos e violentos estamos a provar a nossa incompetência, a nossa falta de paciência e também nosso cansaço”. Magda Gomes Dias.



Indicação de Leitura: Crianças Felizes - Magda Gomes Dias







Sobre a autora:

Bárbara Leite Liberato é casada com Fernando Liberato, mãe de duas crianças extraordinárias João Paulo, 6 anos e Gabriel, 3 anos. A vida toda quis ser mãe e formar uma família, casou com o grande amor da adolescência e juntos educam os filhos dentro da Parentalidade Positiva. Tem como missão de vida capacitar pais e mães para utilizarem as ferramentas da Disicplina Positiva e da Parentalidade Positiva junto aos filhos. Ler e escrever é uma paixão na vida.




Bárbara Leite Liberato

Educadora Parental em Disciplina Positiva

Membro da PDA / Brasil

Jornalista e Advogada

Especialista em Parentalidade Positiva pela Escola de Parentalidade e Educação Positivas de Portugal

Especializando em Neurociência e Comportamento - PUC/RS

Idealizadora e Editora do blog cheirodemae.com.br

(99) 981326509 - barbaraleiteliberato@hotmail.com

@barbaraleiteliberato


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