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  • Barbara Leite Liberato

Meu Jeito de Ser Mãe

com Lílian Castelo Branco de Lima

@lilianlimacastro


Uma mulher que tem a vida bordada por muitas vidas. Sou professora por AMOR e por PROFISSÃO, atividade que sustenta o meu físico, mas muito mais a minha alma. Antropóloga, que aprende que a DIFERENÇA é o que nos faz IGUAIS. Mãe da Maria Eduarda e da Ísis, com as quais aprendo, diariamente, a infinidade de sentimentos que cabem na materialidade do AMOR.


"Obrigada D. Marinalva, minha mãe, por me ensinar, com seu jeito de ser mãe, que MÃE não é sinônimo de PERFEIÇÃO, mãe é AMOR, COLO, PUXÃO DE ORELHA, É SIM E É MUITOS “NÃOS”, é DOAÇÃO. E APRENDIZAGEM diária".

Lílian Lima



Foto Adriana Kleine


Das coisas que ouvi da minha mãe e só fizeram sentido quando tive minhas filhas


“Você só vai saber o que é ser mãe, quando você for mãe!” E foi exatamente assim: Eu soube o que era ser mãe quando eu soube que a Maria Eduarda iria chegar, há exatos 9 meses antes do dia 23/05/2003. Ali nascia o maior amor do mundo, algo imensurável e com esse amor, também imensuráveis, muitos medos nasciam. Inicialmente o meu medo de perde-la: tive um início de aborto espontâneo. Lá fomos nós para medicação e repouso absoluto.

Passado o susto, vida normal, mais 7 meses de uma gravidez tranquila, sem nenhuma intercorrência e que me permitiu trabalhar até os 9 meses. Maria chegou saudável, linda e amada. Daí em diante, muitos sorrisos, muita alegria, alguns choros e mais medos. Primeiro, por ter me separado do pai dela, quando ela tinha apenas 15 dias, veio o medo de não conseguir dar à minha filha o amor e a segurança que ela precisava. Medo que foi superado dia a dia, por uma dupla incrível, fantástica, forte e amorosa: Eu e a minha Madu.


Depois, o medo de ela não está respirando, por não chorar a noite, como pode um bebê não chorar à noite? E ela calma, tranquila, dormia e em sonho me dizia: Calma! Descansa! Vai dar tudo certo! E deu! Depois mais incontáveis medos: da adaptação à escola, da mudança de cidade, das quedas de bicicleta, das frustrações com o início das relações amorosas... Todos superados! Mas eu sigo com medo, viu! Agora ela irá morar fora, pois foi aprovada em uma Universidade no Piauí! E eu com o coração preocupado, mas que entende que meu passarinho precisa voar, empurrei-a do ninho e mais uma máxima da minha mãe faz sentido: “Não importa a idade dos nossos filhos, as mães sempre seguirão se preocupando com eles”.


Foto Luan Neves


Agora um parêntese: de uma família MATRIARCAL, cresci rodeada e formada por muitas mulheres fortes, que conduziam com amor e empoderamento a nossa família. Sou bisneta de D. Maria, uma mulher que sempre será para mim o maior exemplo de doçura e firmeza, a mulher que mesmo depois de cega, continuou ativa, guiando a própria vida. E seguiu guiando filhas, filhos, netas, netos, bisnetas e bisnetas. Sou neta da D. Maria da Paixão, minha paixão de vó, a mulher que areava a bacia de alumínio para eu tomar banho, a mulher que me levava para a escola e a caligrafia mais linda que conheço e que buscava imitar. Filha da D. Marinalva, Deus não poderia ter escolhido outra mãe para mim! Dela herdei a coragem, a empatia, com minha mãe aprendi todos os dias o valor de uma família. E foi dela que eu sempre ouvi: “Eu amo todos vocês do mesmo tanto!” Somos 4 irmãos e eu sempre dizia que ela amava mais o meu irmão mais velho.

Precisei fazer esse parêntese, ENORME por sinal, porque o meu jeito de ser mãe se construiu das muitas mulheres que tenho na minha família. E porque, para falar do meu jeito de ser mãe da Ísis, eu precisava dizer que por ter uma relação tão linda com a Maria Eduarda, uma relação que é exatamente o que sempre sonhei para a minha maternidade, eu tinha medo de ter outro filho e não conseguir amar do tanto que eu a amo. E quando a Ísis chegou, depois de 16 anos da Lilian sendo mãe exclusiva da Madu, mais uma vez, o que minha mãe me dizia sobre seu jeito de ser mãe, fez sentido para mim.


Foto Adriana Kleine


Desde aquele dia 02/02/2019, quando a Ísis Valentina chegou, tenho aprendido diariamente que não existe a filha que se ama mais, existem amores diferentes, porque assim é a humanidade: diversa, mas com a mesma intensidade. A nossa Ísis é uma menina forte, independente, tagarela, muito sociável, que ama música, rodopeia pela casa o dia inteiro, fala com os tios, avós e bisavó por vídeo chamada diariamente (com a avó muitas vezes, coisas de vó).

A Ísis, esse furacão de menina, em tempo de pandemia, nos ensina que amor é AMOR, não importa se presencial ou na presença mediada pela tecnologia. Minha filha nos ensina que o JEITO DE SER DO AMOR sempre nos indicará os caminhos e mesmo com MEDO, o AMOR sempre nos fortalecerá para seguirmos em frente.

A Ísis chegou sem planejarmos, pois não desejava ter outro filho, fui mãe novamente aos 43 anos e agora o medo não era mais se eu conseguiria sustentar ou se conseguiria educar com amor, porque esses medos aí já havia vencido com a Maria e eles não me assustam mais. Agora o medo era de que minha gravidez fosse tranquila, que minha filha fosse saudável, e foi tudo como os seres celestiais planejaram: Ela é nossa perfeita resposta de Deus para nossos sonhos!

E talvez você que está lendo esse texto me pergunte: “Ah, agora então não há mais medos?” E eu devolvo com outra pergunta: - E há outro jeito de ser mãe?

O que eu digo é que o meu jeito de ser mãe me ensinou, nesses 18 anos e 2 filhas, que esse AMOR (que está nos mais diversos jeitos de ser mãe) sempre indicará o caminho! E que mãe pode até querer ser FORTALEZA e PERFEIÇÃO, no entanto, somos apenas aquela que quer dar o melhor de si para que NOSSOS FILHOS sejam o melhor que possam ser.

Preciso finalizar este texto dizendo: Obrigada D. Marinalva, minha mãe, por me ensinar, com seu jeito de ser mãe, que MÃE não é sinônimo de PERFEIÇÃO, mãe é AMOR, COLO, PUXÃO DE ORELHA, É SIM E É MUITOS “NÃOS”, é DOAÇÃO. E APRENDIZAGEM diária.


Um beijo no coração de cada MÃE que, munida de muito AMOR, enfrenta seus MEDOS diariamente e dá o MELHOR de si nessa tarefa de gestar a VIDA!

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