Buscar
  • Barbara Leite Liberato

Mãe, Mulher e Líder

Mulheres nasceram para liderar. Mães, todas elas, são líderes - elas gerenciam vidas, lideram pessoas, simples assim. Por isso, nesse mês de março vamos contar histórias de mulheres incríveis que com resiliência, criatividade e muito amor equilibram todos os dias o papel de serem mães, mulheres e líderes. Vem com o cheirodemae.com.br se transformar com relatos de pessoas que são gente como a gente.



Essa semana o Cheiro de Mãe convidou a Nathália Cristina Pinto Cutrim para compartilhar conosco esse tema: "Ser mãe, mulher e líder". Ela de forma generosa escreveu esse texto capaz de inspirar e emocionar cada uma de nós.


Sou Nathália Cristina P. Pinto Cutrim Mulher, Mãe, Esposa, Psicóloga e Educadora Parental. Mãe da Eva (5 anos) e do José (2 anos), sou também casada com Augusto. Sou ludovicense, e moro em São Luís - MA. Instagram @psi.nathaliapinto



A mulher que eu fui e a mulher que estou me tornando


Sou ludovicense, mulher, filha, mãe, esposa, amiga e psicóloga. Nasci em uma família bastante exigente, a forma dos meus pais educar era rígida e autoritária e a mistura desse ambiente com o meu temperamento, fez com que eu tivesse uma adolescência difícil, com muitos atritos. Esse contexto também foi propício para despertar em mim duas vontades: a primeira seria entender o motivo daquelas dificuldades que eu passava e poder ajudar outras pessoas. E a segunda estava direcionada ao meu desejo de ser mãe e acreditar que poderia fazer diferente do que fizeram comigo. Logo, desde muito nova eu já sabia que faria Psicologia, mesmo contra a vontade dos meus pais.

Eu era insegura, tímida e me dediquei muito aos estudos como forma de compensar essas características. Assim que me formei comecei a trabalhar com crianças e adolescentes em uma grande escola. Eu casei e tudo ia muito bem, até que após um ano eu descobri que estava grávida e o terreno ficou fértil para que vários medos aparecessem novamente. O que na época ainda não sabia, era que todo aquele esforço como forma de compensar, o medo e a timidez eram a minha criança ferida, pedindo para ser acolhida, validada e com grande vontade de ter voz e vez.

Nathália com os filhos Eva e José


Em outubro de 2015, Eva chegou a esse mundo e com ela aprendi a ouvir sobre os meus medos sem julgamentos, descobri que eles são válidos e que ainda que busquemos nos preparar para as circunstâncias como forma de ter o controle, a flexibilidade se faz necessária, pois muitas vezes precisamos nos reinventar.

Eu consegui compreender que a maternidade pode ser uma benção, que se você se permitir e buscar se autoconhecer pode curar muitas feridas do passado. No entanto, se escolher se fechar, além de se frustrar, pode ferir quem você mais ama, pois temos a tendência a repetir padrões quando não estamos conscientes.

A maternidade me fez perceber que trabalhar apenas com a criança e o adolescente não era o suficiente para promover as mudanças que eu almejava. Era preciso ir além, pois quem cuida, também precisa de cuidado e de autoconhecimento para não passar as suas dores adiante. Fui buscar conhecimento sobre Parentalidade Consciente, mesmo em meio a uma gravidez tensa devido a uma suspeita de cardiopatia congênita por parte do meu filho. Em agosto, o José nasceu lindo, forte e saudável contrariando todos os resultados de exames de imagem. Desde a gravidez dele, aprendi a viver a maternidade de forma mais leve, autoconfiante e encontrei a coragem que por muito tempo ficou escondida dentro de mim.

Nathália com o marido Augusto e os dois filhos do casal


Agora, mais do que nunca, todo esse aprendizado não poderia ficar apenas comigo. O medo deu lugar à convicção que eu poderia falar e ajudar outras pessoas e que o caminho para isso seria pelos pais, ou futuros pais. Foi assim que em 2019 comecei a trabalhar exclusivamente como Psicóloga Clínica e através da abordagem da Terapia do Esquema, ajudo as pessoas a fazerem uma (re)conexão com elas mesmas e a recuperarem o amor próprio.

Hoje posso dizer que sinto orgulho de quem estou me tornando a cada dia, me sinto feliz, forte, corajosa e realizada fazendo o que faço. Tenho conseguido equilibrar (na maioria das vezes) de forma satisfatória os meus diversos papéis. Tudo isso graças ao apoio e companheirismo do meu esposo, que foi fundamental para essas mudanças ao longo da minha trajetória.



" A gente romantiza, porque é muita coisa boa que sai de dentro desses desafios. Da força que agora corre nas veias. A sensação de que ninguém consegue te parar. Existe sempre essa garra que brota de onde parecia não ter mais nada. É uma mistura de fragilidade com a certeza de que por eles, pelos nossos filhos, ficamos gigantes, podemos tudo. E podemos mesmo. A capacidade de resiliência, de superação, que só um filho consegue te dar. Somos nós que damos a vida. Mas eles, bom, eles nos dão muito mais. "


Rafaela Carvalho em 60 Dias de Neblina, 2018

2 visualizações

Posts recentes

Ver tudo