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  • Barbara Leite Liberato

Evolução cerebral: a importância das emoções no desenvolvimento da criança

Conhecer o cérebro nos possibilita ser cada vez melhores, nos possibilita uma vida mais saudável emocionalmente e também nos permite uma longevidade sem precedentes.


Tudo aquilo que fazemos, fazemos com o cérebro. Logo, levar em consideração o funcionamento da nossa mente nas mais variadas esferas da vida é primordial, sobretudo quando estamos a educar um outro alguém. A neurociência, portanto, tem um grande impacto na educação.

O cérebro é um órgão social, e é por isso que o isolamento crônico devasta o ser humano. São os vínculos que temos que dão bem-estar à nossa vida e também impactam a nossa longevidade. Dentro dessa perspectiva, o olhar do outro é muito importante. A sobrevivência e o pertencimento são essenciais para a nossa espécie.

A criança nos primeiros anos de sua vida está sobrevivendo – ela nasce totalmente dependente da mãe e fazer com que o bebê coma, durma, fale, ande é a meta dos pais até os três anos de idade. Aqui acontece um marco no desenvolvimento cognitivo da criança: além de sobreviver, ela começa a ter uma necessidade social. Ou seja, de conviver com o outro, de reconhecer a si mesmo como uma pessoa independente dos pais no pensar e no agir, ser visto na sua individualidade, uma necessidade de pertencimento. E o primeiro grupo social do ser humano é a própria família: família nuclear formada pelos pais e irmãos, mas também os parentes próximos.

E é este contexto familiar que influi na maneira que ela vai pensar, sentir e decidir porque o ser humano pensa e toma decisões de forma social. E é aí que o vínculo, a conexão que se tem na infância com os pais, cuidadores e professores se torna salutar no processo de desenvolvimento da criança.

“O vínculo é a qualidade da relação que temos com os nossos filhos e a forma como que eles se sentam amados. Quando uma criança sente que o vínculo existe é quando se sente querida pelos pais. Sentir-se querida é sentir-se escutada com atenção, é sentir que a levam a sério e que os adultos a envolvem na resolução de questões que lhe dizem respeito”, afirma Magda Gomes Dias (p.198, 2018).

A Parentalidade Positiva acredita que o vínculo parental é determinante na construção da autoridade e na cooperação das crianças. “É no gesto e na qualidade dos nossos filhos que cresce o vínculo parental”, acrescenta Magda Gomes Dias.


E quando se fala de sentimentos na Parentalidade Positiva, fala-se na evolução cerebral. Os primeiros anos de vida de uma criança, em termos de construção cerebral, é fundamental. As emoções “moram” neste cérebro em construção – o córtex pré-frontal, onde se faz a filtragem das emoções, ainda está em obras. E mesmo, aos 23 ou 25 anos, quando a obra finalizar, ainda assim, é complicado para os adultos gerirem e administrarem as próprias emoções, quiçá a do outro.

Durante a vida, o cérebro humano se esquece de quase tudo que vivemos. Ele só não se esquece daquilo que emociona porque é a emoção que consolida a memória. Basicamente, somos movidos pelas emoções que sentimos. São elas que nos fazem viver. Cada escolha feita pelo ser humano está carregada de emoção. Se pensarmos bem, não somos tão racionais quanto parecemos.

As nossas emoções básicas nos conectam com a nossa ancestralidade evolutiva. A alegria, o medo, a tristeza, o nojo, a ira, a surpresa são emoções primárias e básicas que estão presentes em vários animais. Mas culpa, vergonha, orgulho, por exemplo, são emoções secundárias que apenas os seres humanos possuem. Estas emoções são influenciadas pela cultura e, por isso, são também subjetivas. Elas desempenham um papel comportamental significativo para os humanos desde a primeira infância.

A capacidade de reconhecer em nós mesmos nossas emoções e reavaliá-las ou geri-las, bem como a capacidade de reconhecer estas emoções nos outros é o que define a inteligência emocional. Quando para além disso, consegue-se imaginar que o outro tem crenças diferentes das suas e que as crenças dela podem estar em desacordo com aquilo que você pensa e acredita, então tem-se aí uma empatia cognitiva, e isso é inteligência social.


Eis o grande desafio dos pais nessa era: aprender e ensinar aos filhos empatia emocional, o que requer duas habilidades – literacia emocional e autorregulação.

1. Literacia Emocional: dar nome ao que sentimos e dar liberdade aos sentimentos. Ou seja, reconhecer as emoções através das suas próprias características físicas e visíveis. Ex: a raiva nos deixa bravos, vermelhos, com os punhos e mãos enrijecidos, acelera nosso coração e a nossa cara fica fechada. Temos vontade de agredir o outro ou de chorar. Já a liberdade de sentir consiste em não julgar os sentimentos, mas acolhê-los. Saber que todas as emoções vão ser sentidas e não tem nada de errado com isso. As escolhas que fazemos com aquilo que sentimos é que pode ser certo ou errado. Bater porque se sente raiva não é certo, mas sentir raiva é permitido – todos nós sentimos.

2. Autorregulação: é a capacidade de regular nossos impulsos. De centrar-nos naquilo que realmente é importante. Saber o que você está a sentir e fazer boas escolhas com estas emoções. Numa relação parental, saber gerir os próprios impulsos é muito importante para ajudar as crianças a gerirem os impulsos delas.

“A qualidade das experiências que a criança tem determina a construção cerebral dela e o desenvolvimento da sua inteligência emocional”. Magda Gomes Dias

|Dica de Leitura: Crianças Felizes - Autora Magda Gomes Dias



Sobre a autora:

Bárbara Leite Liberato é casada com Fernando Liberato, mãe de duas crianças extraordinárias João Paulo, 5 anos e Gabriel, 2 anos. A vida toda quis ser mãe e formar uma família, casou com o grande amor da adolescência e juntos educam os filhos dentro da Parentalidade Positiva. Tem como missão de vida capacitar pais e mães para utilizarem as ferramentas da Disicplina Positiva e da Parentalidade Positiva junto aos filhos. Ler e escrever é uma paixão na vida.


Bárbara Leite Liberato

Educadora Parental em Disciplina Positiva

Membro da PDA / Brasil

Jornalista e Advogada

Especilista em Parentalidade Positiva pela Escola de Parentalidade e Educação Positivas de Portugal

Especializando em Neurociência e Comportamento - PUC/RS

Idealizadora e Editora do blog cheirodemae.com.br

(99) 981326509 - barbaraleiteliberato@hotmail.com

@barbaraleiteliberato



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