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  • Barbara Leite Liberato

Empatia, encorajamento e autismo

Como o encorajamento e a empatia podem estreitar o vinculo parental e aumentar as expctativas elevando o potencial da criança em relação a ela mesma, mesmo com o diagnóstico de TEA.



Aplicar empatia e ser encorajadores com a Mariane é extremamente lindo e necessário. É lindo porque eu nunca imaginei que uma coisa assim tão simples fizesse tanto efeito na vida dos nossos filhos! Empatia é muito mais do que se colocar no lugar do outro, significa tentar compreender sentimentos e emoções, reconhecer o quanto aquilo é difícil para a criança e não ficar apenas com pena dela. "Oh tadinha, ela tem tantas limitações". Não, não!

É verbalizar, por exemplo: "Nossa minha filha, eu entendo que você ficou chateada por que seu irmão rasgou seu livro, eu também ficaria muito chateada." Ou então: " Nossa filha, eu percebi que você ficou muito chateada porque gritaram com você, eu também não gosto disso". Aqui a criança pode chorar, ficar triste, é um momento importante de sentir as emoções. Ás vezes aproveito para explicar as emoções também! Mas é importante não parar aqui nesse sentimento sem nenhuma resolução. 

Neste contexto, também cabe comentar aqui os 3Rs da Reparação citado por Jane Nelsen no livro Disciplina Positiva para crianças com deficiência. O primeiro R é de Reconhecer: quando me descontrolo e grito com ela, respiro fundo e às vezes faço um pausa positiva, então reconheço que cometi um erro. Por exemplo: "Filha, eu reconheço que gritei com você, lembra o que agente combinou de você não jogar os cadernos no chão?" O segundo R é de Reconciliar: aqui já devo ter me acalmado e então peço desculpas. Isso mesmo, pedir desculpas para nossos filhos não é errado, eles são capazes de entender e nos imitar. O terceiro R é de Resolver: envolve chegar a uma maneira de corrigir o erro para solucionar o problema. Aqui posso até conversar com ela sobre os combinados, se ela gostaria de mudar algum ou se quer cumprir todos eles. Vamos na raiz do problema. Se ela jogou os cadernos no chão, hoje ela já consegue, exatamente nesse ponto, expressar o porquê de seu comportamento. E isso é motivo de muita alegria, pois já foi um enorme avanço na comunicação e no seu desenvolvimento. Procuramos chegar a uma solução juntas sempre encorajando -a.

Encorajar... isso tive que mudar muito em mim. Depois de tanto estudar e reconhecer o MEU temperamento, as MINHAS limitações e o quanto elas refletem nos nossos filhos, tive que mudar. Tive que mudar a ideia pessimista de que ela não consegue muita coisa, ou que não vai ser funcional, tive que acreditar no potencial da minha filha ! Hoje ela segue bem mais confiante e tranquila porque nós acreditamos no potencial dela. 

É isso ! Um pouco do muito que a Disciplina Positiva faz nas nossas vidas. Ela transforma e nos ajuda nessa missão tão importante de educar com gentileza e firmeza.


Sobre Karuane Araújo

Karuane Araújo é mãe da Mariane 6 anos autista verbal e do Miguel de Maria 1 ano e 8 meses de temperamento forte, esposo do Bruno Araújo, aplicadora da disciplina positiva na educação das crianças.




Karuane Araújo

Chefe da Divisão de Cursos de Pós-Graduação - PROPGI/UEMASUL

Engenheira de alimentos - Mestre em Ciências da Saúde

Tel: 099 991081406 CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/1115832947713877

@karuanearaujo

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