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  • Barbara Leite Liberato

Educar filhos com o cérebro em mente

O cérebro desempenha um papel central em todos os aspectos da vida de uma criança, desde a disciplina e tomada de decisão até o autocontrole e a autonomia. São os pais que moldam o cérebro de seus filhos através das experiências que oferecem a eles.


Crianças desenvolvem o próprio cérebro espelhando o cérebro dos pais, logo filhos com pais conscientes e emocionalmente saudáveis tendem a ser mais desenvolvidos emocionalmente. O que isso representa? Crianças com mais autonomia, mais autocontrole, autorreguladas, resilientes e também mais felizes.


Pais e Mães vivem a se questionar sobre o que realmente querem para seus filhos no futuro. Um mundo mais humano? Uma sociedade que massacre menos o outro? Um lugar em que eles possam viver sendo eles mesmos? Mas poucos pais se perguntam quais as qualidades querem que os filhos desenvolvam para viver nesse mundo que idealizam para os pequenos.

Sabe-se que as crianças aprendem por repetição, repetição daquilo que escutam, sim. No entanto, as repetições daquilo que eles vêm os pais fazerem tem um peso ainda maior. Ter filhos felizes, independentes e bem-sucedidos é uma tarefa árdua de se conseguir. Começar a trilhar esse caminho ainda na infância, tendo o cérebro em mente, ajuda a criar oportunidades para que os filhos prosperem.

Não é comum que pais tenham muitas informações sobre o cérebro de seus filhos, mas pode ser de grande valia entender como se dá o desenvolvimento cerebral desde o nascimento até os 25 anos, quando o adolescente tem também o cérebro mais desenvolvido e capacitado para adentrar no universo adulto com mais domínio sobre as próprias emoções e, portanto, se valendo de escolhas mais racionais.

A rivalidade entre irmãos, as birras e as desobediências são desafios do cotidiano capaz de tirar qualquer pai e mãe do sério. No entanto, lidar com essas questões sabendo que tais comportamentos ocorrem porque o cérebro das crianças ainda está em desenvolvimento, e por causa disso, não são capazes de integrar o que sentem com aquilo que fazem, contribui para educar os filhos com mais paciência, empatia e compaixão.

Saber que é preciso esperar o cérebro dos pequenos desenvolver-se e que isso levará um tempo longo para acontecer reduz a ansiedade dos pais em querer controlar os filhos exigindo obediência, bom comportamento e também boas escolhas na maior parte do tempo. Para construir relacionamentos mais fortes com os filhos, capaz de fornecer base emocional, social e mental é preciso saber responder a situações difíceis com mais eficiência.

Os genes desempenham um papel fundamental, sobretudo, quanto se trata do temperamento e da personalidade que carregamos, mas o desenvolvimento do cérebro depende também dos estímulos recebidos e das experiências vivenciadas.

O primeiro passo é entender como funciona o cérebro da criança e do adolescente. Daniel Siegel e Tina Bryson (2011) ensinam na obra literária “O cérebro da Criança”, que saber integrar o lado esquerdo com o direito, bem como a parte de cima com a parte de baixo do cérebro é fundamental para ajudar este órgão a comandar o nosso corpo de forma equilibrada. “ Birras, ataques de fúria, agressividade e a maioria das experiências desafiadoras da criação de filhos – e da vida – são o resultado da perda da integração, também conhecida como desintegração” (p.27).

Fazer com que a lógica do “cérebro esquerdo” tenha equilíbrio com as emoções do “cérebro direito”, e também proporcionar à parte mais alta do cérebro, responsável pelo raciocínio, conviver em harmonia com os instintos de sobrevivência que estão na parte mais baixa do cérebro é fazer com que, nos dizeres de Siegel e Bryson (2011), as crianças consigam navegar entre o caos e a rigidez em fluxo continuo e saudável.

A neurociência confirma que o cérebro é um órgão moldável, o que significa que as experiências vivenciadas são capazes de modificar a estrutura física dele. Isso faz com que o ser humano não seja prisioneiro do próprio cérebro, podendo reprograma-lo para ser feliz em qualquer idade.

Os genes desempenham um papel fundamental, sobretudo, quanto se trata do temperamento e da personalidade que carregamos, mas o desenvolvimento do cérebro depende também dos estímulos recebidos e das experiências vivenciadas. Pois são estes dois componentes que trarão resiliência e integração.



Sobre a autora:


Bárbara Leite Liberato é casada com Fernando Liberato, mãe de duas crianças extraordinárias João Paulo, 5 anos e Gabriel, 2 anos. A vida toda quis ser mãe e formar uma família, casou com o grande amor da adolescência e juntos educam os filhos dentro da Parentalidade Positiva. Tem como missão de vida capacitar pais e mães para utilizarem as ferramentas da Disicplina Positiva e da Parentalidade Positiva junto aos filhos. Ler e escrever é uma paixão na vida.



Bárbara Leite Liberato

Educadora Parental em Disciplina Positiva

Membro da PDA / Brasil

Jornalista e Advogada

Especilista em Parentalidade Positiva pela Escola de Parentalidade e Educação Positivas de Portugal

Especializando em Neurociência e Comportamento - PUC/RS

Idealizadora e Editora do blog cheirodemae.com.br

(99) 981326509 - barbaraleiteliberato@hotmail.com

@barbaraleiteliberato

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