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  • Barbara Leite Liberato

Crescer Dói


Você é daquelas que acredita em ditado popular? Será mesmo que "filho criado, o trabalho é dobrado"? Ou será que crescer pode ser mais leve e gostoso para pais e filhos? Bom, uma coisa é certa: crescer dói, mas também liberta. Você está preparada para ver seus filhos baterem asas e voar? Então espia só!


“Filho criado trabalho dobrado.”

“Não há onde o filho fique bem, como no colo da mãe.”

“O bom filho à casa torna.”

Gosto dos ditados populares, eles carregam muitas verdades em uma única linha. Sabedoria popular testada e comprovada ao longo de anos. Cresci ouvindo alguns, repeti outros aos meus filhos.

Conselhos ou sentenças?

Bom, eu penso como conselhos, afinal é preciso estar de mente aberta, viver o contexto e antecipar os riscos.

Trabalho dobrado, porque agora as decisões não cabem somente a nós, pais. Com os vínculos fortalecidos, passamos de pais a conselheiros confiáveis. Quem está preparado para este momento? Ninguém! As escolhas dos filhos não são as nossas, mas aqui não se trata do que eu quero, mas como posso ajudá-lo a enfrentar as suas próprias escolhas, ser presença sem julgamento, avaliando e ponderando cenários.

“Este pai tem forte influência na vida do filho, mas tanto um como o outro, sabem que a decisão final é do filho, e que nem sempre será a mesma que o pai tomaria”. (Joel Morais)


Ouvi meus filhos dizerem o quanto cresceram saindo de casa para estudar. Lidar com dinheiro, pessoas diferentes, ser responsável por suas opiniões, procurar médico, fazer a própria comida, ser mais um na multidão buscando o seu lugar. Depender de transporte público ou carona, não ter ninguém para fazer nada por eles. Enfim, se virarem para viver e não perder a essência.

E quando à casa retornaram, algumas surpresas agradáveis e desagradáveis vieram na bagagem: estavam mais independentes, questionadores, se achando muito adultos.

Se isto é assustador, depende do ângulo que se olha!

A primeira vez que ouvi meu filho mais velho dizer: “minha casa”, referindo-se à república foi doído assimilar que estávamos seguindo, crescendo. Depois disso, o que veio foi consequência e o coração já ficou mais tranquilo.

Há alguns meses, o bom filho retornou à casa, ao colo, por escolha. Seria por um curto período, mas de grande significado! Ele estava se lançando em um novo desafio e quis estar perto de nós por questões emocionais e práticas.

No primeiro momento falou que seria mais fácil para ele porque não perderia tempo com coisas domésticas, teria tempo de focar no projeto, que, de fato, lhe tomou muito tempo. Conciliar trabalho, fim de curso e o novo projeto deixou os dias curtos e foi preciso adentrar às noites.



Entre uma coisa e outra, a sua presença em casa, enriqueceu o convívio familiar. Nos pequenos intervalos do projeto, ele me ajudou com o meu trabalho dando dicas valiosas, com uma música para animar, com uma polêmica nos almoços, um livrinho para ler, um filminho nos fins de semana, uma caminhada no fim de tarde, uma piscininha, uma volta à cavalo no domingo, e um joguinho de baralho para tirar os irmãos da tela.

O garoto trouxe movimento, ele é vento fresco o tempo todo, desde pequeno é dinâmico, perspicaz e muito questionador. Não foi um adolescente fácil, mas se tornou um adulto atencioso, carinhoso e generoso, sempre disposto a ensinar o que sabe.

Dois meses, dois anos, uma vida inteira, nunca serão suficientes, para colocar os filhos no colo, para fazer todas as comidas preferidas, dar todos os sermões, ver todos os filmes, rir e chorar, trocar conselhos. Nada nos prepara para isso e ao mesmo tempo, tudo isso nos é permitido, basta sabermos aproveitar, ter leveza, ter empatia. Não são os dias que contam, mas as horas que aproveitamos!

Nós pudemos ver de perto um pouco da sua rotina. Chegou aqui branco como um papel, aos poucos foi ganhando cor de quem mora no campo. Formou-se dentro do quarto, numa manhã de quinta-feira, sem festa, sem discurso, sem platéia. O que queria mesmo era o diploma, para poder seguir seus planos. A festa, o rock na República, a inauguração do quadrinho (ritos de formatura nas Repúblicas de Ouro Preto), foram sonhos que ficaram para trás.

As amizades hão de permanecer, assim como o desejo forte de ser grande, entrar no mercado, fazer parte das mudanças. Ser a mudança é o desafio.

O desafio não bateu à sua porta, ele foi buscá-lo, correu atrás, cresceu na dor, no nervosismo de ser avaliado, nas horas dedicadas às pesquisas de estudo de mercado, à implementação de ideias, nas conversa com amigos, pedidos de ajuda, leituras. Enfim, foi maratona.

Mas diferente das maratonas esportivas, esta vai continuar após a faixa de chegada.

Ele criou a oportunidade, agora é preciso escolher entre ficar ou ir!

Formado, tem opções de escolhas, prós e contras, coisas de gente grande, coisa de gente que tem que ter coragem de seguir em frente sem olhar para trás!

Crescer dói?

Há momentos que sim.

Há momentos, no entanto, que é libertação.

“Nada como um dia após o outro.”




Dica de Leitura: Esteja, Viva, Permaneça 100% Presente
Autor: Joel Moraes



Sobre Maria Marquez

Sou uma menina que sempre quis casar e ser mãe, hoje uma mulher realizada, casei com meu amor de adolescência, sou mãe de três garotos (Raul 24; Artur 21; Davi 19), pedagoga, secretaria do agronegócio, voltando às raízes, morando na fazenda, me redescobrindo e experimentando um universo de novidades.

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