Buscar
  • Barbara Leite Liberato

Conscientização e felicidade

No mês de abril se faz referência à Conscientização do Autismo, sendo o 2 de abril, o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo. Essa data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008 com o fim de estimular as sociedades a aumentar o conhecimento sobre o assunto. Mais importante do que se conscientizar, é abrir os braços para acolher.

Mariane 7 anos: ela ama cor de rosa, pediu para se arrumar e fazer penteado


Consciência é o sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior. Consciência também pode ser definido como o sentido ou percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais. Neste contexto, a conscientização sobre o autismo é algo muito sério e importante para a sociedade.

É preciso conhecer! É preciso estar aberto, de braços abertos. E foi assim que recebemos nossa filha autista: de braços abertos. Já passamos por muitas fases, mas uma coisa podemos dizer: tudo fica melhor, tudo pode melhorar. Não me refiro a ela ficar igual às outras crianças, longe disso. Somos diferentes, todos diferentes. Não deve caber a nós igualar nossos filhos a nenhum outro. São únicos, são preciosidades que dependem de nós.

Nossa filha já passou por várias fases de desenvolvimento. Como ela está hoje? Ela sente todos os cheiros: e sentindo esses cheiros, muitas vezes tão sutis que eu sequer consigo perceber, por mais que eu tente. E ela pergunta: Que cheiro é esse, mãe? E eu respondo e pergunto: Não estou sentindo, filha! Com que ele se parece, bom ou ruim; de comida, de lixo? Hoje em dia ela já consegue, na maioria das vezes, descrever o cheiro misterioso e nem todas as vezes conseguimos decifrar. E assim também ocorre com os sons. Essa sensibilidade tão grande pode lhe fazer se desregular, se estressar e entrar em crise em alguns momentos. Mas também tem seu lado positivo que pode ser incentivado quando ela crescer.

Mariane, autista, adora ouvir músicas eletrônicas e dançar para se estimular e relaxar depois de um dia estressante.


Mas tudo que queremos é que nossa filha seja feliz. Uma autoestima equilibrada é uma espécie de felicidade interior, e a felicidade é uma competência equilibrada que pode ser ensinada pelos pais. Como assim ensinada pelos pais? No livro Crianças Felizes, da autora Magda Gomes Dias, em seu Capítulo 3, cujo assunto é “Criar filhos resilientes, positivos, felizes e com uma boa autoestima”, é possível ampliar o nosso aprendizado para lidar com nossos filhos no dia-a-dia.

Para ensinar felicidade aos nossos filhos, devemos nos lembrar destes pontos no nosso dia-a-dia:
1-Respeitar a natureza do nosso filho: quando aprendemos sobre os temperamentos e a influência deles na vida de cada um. Ao perceber e compreender o temperamento de nossa filha, foi possível entender e aceitar muitas de suas dificuldades. Essa aceitação dá segurança à criança, ela se sente segura em saber que será aceita, que será amada como se é. Para crianças com autismo, ainda mais autismo leve, isso é muito importante, pois eles têm consciência que são diferentes. Eles não querem mudar, só querem ser aceitos.
2-Criar memórias positivas e lembrar-se delas com freqüência: ela adora rever álbum de fotos, ouvir histórias de nossas vidas, relembrar acontecimentos bons e alguns não tão bons, mas como lidamos com eles. Para crianças autistas, no caso de nossa filha, tudo que acontece com ela fica na memória recente, então ela se lembra de coisas que a marcaram de forma bem detalhista como se tivesse acontecido ontem. Para nós pais, de desenvolvimento e funcionamento típico é na verdade um desafio, pois ela lembra de muitos mais detalhes do que nós. 
3-Ter contato: todo criança e toda criança autista é única. Nossa princesa ama brincar junto, abraçar, beijar, ser colocada no colo. Então, nós aproveitamos e damos muito carinho a ela.
4-Ensinar a fazer coisas sozinhas: para crianças com autismo esse é um processo lento e demorado para a maioria das coisas simples do dia-a-dia. No nosso caso, precisamos de auxílio de profissionais como psicólogos, por exemplo. Essa demanda se fez ainda mais necessária dentro do contexto da pandemia. 
5-Desenvolver o respeito mútuo: as crianças merecem todo o respeito como qualquer outra pessoa. Aprendemos a respeitar nossos filhos. Aprendemos a respeitar nossa filha autista. Ter respeito pelos nossos filhos significou para nós como pais, melhorar nosso ouvir, ter mais paciência para ensinar e perceber que eles precisam aprender e nós precisamos ensina-los. 

Mariane na piscina com alguns grãos de areia junto com o irmão mais novo criando memórias afetivas e estimulando a parte sensorial


E assim percebendo nossa filha, lhe conhecendo melhor a cada dia, buscando formas de lhe ajudar, vamos crescendo juntos.


Um abraço e que estejamos firmes e fortes na Disciplina Positiva!



Karuane Araújo é mãe da Mariane 7 anos autista verbal e do Miguel de Maria 2 anos, de temperamento forte, esposo do Bruno Araújo, aplicadora da disciplina positiva na educação das crianças.









Karuane Araújo

Chefe da Divisão de Cursos de Pós-Graduação - PROPGI/UEMASUL

Engenheira de alimentos - Mestre em Ciências da Saúde

Tel: 099 991081406 CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/1115832947713877

@karuanearaujo

18 visualizações

Posts recentes

Ver tudo