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  • Barbara Leite Liberato

Caminho

Atualizado: 9 de Dez de 2020

A transformação acontece se estivermos dispostos a olhar para dentro da gente mesmo. Essa viagem pode ser dolorosa, provocar calafrios, dar um frio na barriga, despertar risadas genuínas, trazer novos conhecimentos e novas pessoas para a nossa vida. Pode provocar surpresas boas, experiências nem um pouco confortáveis, mas só saberemos o que nos aguarda na outra rua se dobrarmos a esquina. A transformação está no caminhar.

Artur Vilela foi de Lages - PR para Foz do Iguaçu no Rio Grande do Sul de bicicleta



Há pessoas que precisam de um tempo, a sós.

As sós consigo mesmas, com seus pensamentos, seus hobbies, seu silêncio.

Sozinhas, mas não solitárias.

Sou destas pessoas, adoro estar comigo, ter um tempo para ouvir minha voz interior, ler um bom livro, cozinhar, rezar, caminhar e, sobretudo, curtir o sossego, ouvir os pássaros, a natureza.

Tal mãe, tais filhos...

Meus filhos são assim. Mas nem sempre consigo entendê-los.


Sair por aí, pedalando sozinho, era algo estranho para mim, coisa de maluco. Quando a ideia vem do filho que você conhece, educou e ama, é preciso reavaliar, ouvir. Na escuta com empatia, encontramos desejos e anseios que são nossos, fruto do que ensinamos.

Artur saiu pedalando sozinho, mas em momento algum esteve solitário na jornada. Graças à tecnologia, o acompanharam: família, amigos, antigos colegas, e professores.

Houveram também, as pessoas no caminho. “Acreditar na boa vontade das pessoas é um passo importante”, ensina Felipe Masetti.


A senhorinha que lhe deu um prato de comida, o homem que ofereceu o celeiro para que passasse a noite, e, preocupado, ainda levou-lhe, leite, pão, queijo e presunto, tudo feito em casa. O dono do bar que permitiu que ele passasse a noite na garagem, porque na cidade não tinha hotel. O senhorzinho que fez piada, quando o viu trancando a bicicleta no poste: “Ainda bem que você amarrou, alguém poderia levar o poste!”. As caronas, o pessoal dos hotéis, os guardas da fronteira, a turma do camping que emprestou a barraca para que ele não tomasse chuva e, por fim, o viajante da Harley Davidson. No caminho, a quietude interior era quebrada pelos encontros.

Artur percorreu 500 km de bicicleta e 130 km de carona


Impossível viver e aventurar-se sem os encontros e a confiança de que existem pessoas boas. Porque os perrengues acontecem! Teve fome, frio, muito cansaço e fadiga muscular. Pedalou um dia, sonhando que iria chegar ao hotel e dormir dois dias!

Cidade sem hotel, o que conseguiu neste dia, foi um colchonete e o céu estrelado. Mas nada disso tirou o brilho da viagem. “Só se vive uma vez, então não desperdice essa chance de aprender, crescer, e experimentar", Felipe Masetti.

“Pai, Mãe. Quero dizer que estou muito contente e feliz pelo apoio de vocês, nessa que está sendo a maior aventura da minha vida, até agora. Eu me emocionei enquanto estava no ônibus, pensando em tudo que passei, vivi, senti e aprendi nesses dias. E o tamanho simbolismo dessa viagem para mim. Eu não contei pra vocês mas, o maior motivo dessa minha viagem foi: crescer e deixar de ser criança. Eu já tenho 21 anos e nunca passei dificuldade, nunca tinha sentido a fragilidade da vida. E eu quero me tornar um adulto. Que tenha maturidade para ter um filho aos 16, ou que tenha condições de começar uma família aos 23. Vocês são ótimos pais. E eu não falaria isto ao vivo, porque eu sou um chorão. Essa viagem está sendo um marco para mim. E eu pretendo ser mais responsável saber viver melhor daqui para frente, aproveitando melhor os meus dias. A viagem ainda não acabou, mas eu já estou chegando. E no ônibus, me veio a ideia do que seria a última experiência e um fim digno para esta jornada: quero saltar de paraquedas. Vou procurar uma agência de turismo e me informar dos valores e da possibilidade. Sei que estou gastando muito do meu dinheiro, porém não vou comprar um carro tão cedo, já que fiz das minhas pernas, duas bazucas. Eu amo vocês! Raul e Davi, vocês são grandes inspirações minhas, e eu sou muito abençoado por ter vocês como irmãos. Amo vocês quatro!”.

Artur Vilela


Artur tem 21 anos e fez dessa viagem uma incrível jornada

Olhar a vida que temos por outro ângulo, nos permite reconhecer e valorizar o que realmente importa. Como mãe estou tranquila, feliz e orgulhosa de meu filho. Sua jornada foi linda, respeitosa, por onde passou foi bem tratado, porque sabe tratar bem as pessoas. Recebeu o que deu: o melhor! Enquanto cá ficamos, sem preocupação exagerada e aflição desnecessária, ele cuidou de nós, nos informando e nos consultando quando foi preciso. Sabia que estávamos com ele, e estaremos sempre!


São muitos os caminhos a explorar, muitas pessoas a descobrir e muito silêncio para equilibrar a alma.


Pedala, pedala, menino...



Indicação de Leitura

Cavaleiro das Américas

Autor: Felipe Masetti Leite






Sobre Maria Marquez

Sou uma menina que sempre quis casar e ser mãe, hoje uma mulher realizada, casei com meu amor de adolescência, sou mãe de três garotos (Raul 24; Artur 21; Davi 19), pedagoga, secretaria do agronegócio, voltando às raízes, morando na fazenda, me redescobrindo e experimentando um universo de novidades.




Maria Marquez Gouveia Vilela

Pedagoga

Secretária do agronegócio da família

(99) 991318999 - mariamarquezgv@gmail.com

@mariamarquez9128

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