Buscar
  • Barbara Leite Liberato

A magia do natal

Esse mundo do Papai Noel é o que propicia que a criança entre em contato com bons valores, bons princípios, com a fé, com a alegria de viver uma surpresa e com a satisfação de desejar muito e receber.


O final do ano se aproxima e não há nada que marque mais essa época do que a Magia do Natal. As cidades e as casas ficam diferentes nessa época: têm mais luzes, mais cores, mais músicas ... mais encantos!

“Deixei meu sapatinho

Na Janela do quintal

Papai Noel deixou

Meu presente de Natal (..)”

Os versos, cantados há décadas, traduzem a magia dessa época. Este universo de fantasia, vivenciado por crianças do mundo todo, é o que perpetua a tradição do personagem mais célebre do Natal: o Papai Noel.

O Natal é uma das recordações mais bonitas que trazemos da infância, e o que fica registrado em nosso inconsciente não é só a figura do entregador de presentes, pois o Papai Noel representa muito mais do que isso. Papai Noel carrega uma universalidade encantadora: bondade, solidariedade, justiça e a sabedoria dos mais velhos.

Permitir a criança a acreditar nesta figura não é incentivar o consumismo ou ser cúmplice de uma “mentira”, mas é autorizá-la a sonhar e imaginar. Essa fase é muito rica e muito gostosa para a criança. Quando ela passa por tudo isso de forma harmoniosa tende a tornar-se um adulto com mais fé em si mesmo, otimista, perseverante, um adulto que acredita no valor do desejo dos sonhos e luta por eles.

Um psicólogo da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, conduziu um interessante estudo sobre o tema. No livro The Philosophical Baby: What Children's Minds Tell Us About Love, Truth and the Meaning of Life (ainda sem tradução para o português), o especialista mostra os resultados de testes realizados com 152 crianças de três a quatro anos.

Primeiro, eles foram questionados sobre as fantasias que criavam e acreditavam. Em seguida, fizeram alguns testes para saber como entendiam o mundo real. E as crianças que brincavam e acreditavam mais em fantasias se saíam melhor na hora de entender a expectativa dos outros e distinguir a realidade da ilusão. Segundo ele, as crianças criam imagens nas suas cabeças, pensam em soluções e se tornam mais criativas. Este tipo de pensamento as levariam, ainda, a entender como o mundo funciona, gerando novas ideias.

Na opinião de especialistas, acreditar em Papai Noel, assim como no Coelho da Páscoa e na Fada do Dente e em outros personagens, é importante para a formação das crianças. A fantasia é necessária para o desenvolvimento saudável da criança, pois estimula a imaginação, a capacidade criadora, permite que ela simbolize e compreenda os acontecimentos da vida, acelera o desenvolvimento intelectual, além de ser uma fundamental ferramenta cognitiva.

“É por meio da fantasia que elas elaboram suas questões para compreender o mundo, entendem suas forças, potências e fraquezas”, afirma a psicóloga infantil e familiar Carol Braga. “O Papai Noel é um símbolo do que representa o Natal. Já os heróis e vilões, por exemplo, as ajudam a desenvolver os conceitos de bem e mal. Os contrapontos levam à construção e à compreensão da realidade.”


Posicionamento dos pais ou responsáveis


Mas até que ponto estimular a fantasia de Papai Noel é saudável para as crianças? Cabe aos adultos incentivar os filhos a manterem contato com o personagem ano após ano? Existe um momento para parar?

O papel dos pais é facilitar esse mundo da imaginação para os pequenos, oferecendo-lhes todas as possibilidades de sonhos e fantasias.

Através do mundo da fantasia as crianças questionam “verdades” inerentes ao mito e à realidade – Como Papai Noel consegue carregar tantos presentes? Como o Papai Noel entra em casa se não tem chaminé? Papai Noel usa aquela roupa todos os dias? Indagações desta natureza acontecem quando a criança começa a desconfiar sobre a existência real do bom velhinho, podendo levar alguns natais para que ele descubra a verdadeira história, em geral entre os 6 e 7 anos. Neste momento, os pais exercem um papel muito importante na transição da fantasia e realidade. Cabe a eles deixá-las livre para que elas se sintam seguras nesta mudança - afirma o psicólogo Paulo Vaz.

Quando a ficha cai, é natural que elas procurem os pais para elucidar a questão. Nesta hora, os adultos devem lidar com naturalidade. Sempre se deve responder a verdade, sem fugir das perguntas. E se os pequenos se sentirem traídos, achando que os pais mentiram esse tempo todo para eles? Fácil não é, mas há solução: Uma saída é dizer que o Papai Noel não existe como uma pessoa, uma figura, mas sim como um símbolo do Natal, por exemplo. É uma oportunidade de reforçar que o Natal é uma celebração baseada em solidariedade, união, paz, diálogo e presença. Os pais não precisam tomar nenhuma atitude para que essa dinâmica se desenrole. Ela deve vir naturalmente e ser encarada numa boa. Enquanto isso, estimula-se a fantasia. Quando as crianças começam a desconfiar dessa existência, é importante vivenciar essa primeira frustração. A ideia é a criança se dar conta de forma natural, pois isso faz parte da construção da fronteira entre o real e o imaginário. Neste caso, sem ser de cunho patológico, o sentimento é de construção. Os rituais do Natal são importantes para a família e para os pequenos. É importante que o momento da verdade não gere nos pais a sensação de culpa por ter mentido para o filho, mas que eles percebam que a criança viveu momentos mágicos, em uma fase que deixa marcas muito positivas. A criança gosta e muito de acreditar em Papai Noel e não se sente mal quando descobre que o bom velhinho não existe. Ela percebe que mesmo o Papai Noel não existindo, o Natal existe e a bondade para com as crianças também, exercida pelos próprios pais e adultos mais próximos.


Para contar para seu filho
O Papai Noel é um personagem criado no século IX por Nicolau Taumaturgo que, em sigilo, colocava um saco com moedas de ouro na chaminé das casas dos que estavam precisando de ajuda na época do natal. Tornou-se santo e símbolo natalino, partiu da Alemanha, onde vivia, até se tornar conhecido por todo o mundo.
Diz a lenda que Papai Noel é um bom velhinho de barba branca e comprida e vestimenta vermelha que mora no Polo Norte. Juntamente com seus assistentes, os duendes, são fabricados presentes para oferecer às crianças que se comportaram e obedeceram os pais durante o ano. Os duendes, além de fabricarem presentes, trabalham também perto de nossas casas, conhecendo o comportamento de cada criança e sua obediência com seus pais e, para isso, percorrem todo o mundo.
Sua figura bonachona, com uma longa barba, botas e roupa vermelha, foi uma criação de um cartunista chamado Thomas Nast, dos Estados Unidos - não, não é por causa da Coca-Cola, como muitos acham. E, claro, ele usa vestimentas pesadas porque, enquanto na América do Sul é verão, na América do Norte é inverno. 
Como ele é chamado em outros países?
Santa Claus, Father Christmas, Nikolaus, Julemanden, Babouschka, Pai Natal, Perè Noel




Sobre a autora:

Olá, é um prazer conhecer vocês que frequentam esse blog! Um lugar de escuta, de fala e principalmente de compartilhamento. Vejo aqui um espaço em que poderemos compartilhar muito mais do que os desafios das relações entre pais e filhos, mas principalmente as experiências e as motivações que encontramos no dia a dia de cada família. Sou médica, pediatra, e espero enriquecer esse espaço através de orientações e discussões norteadas pelo conhecimento médico.


Dra. Raquel Carvalho Leite

Médica formada na Universidade Federal de Minas Gerais. Pediatra pelo programa de Residência Médica do Hospital das Clínicas da UFMG. Titulada em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Especialização em Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal pelo Neocenter e Titulada em Terapia Intensiva Pediátrica pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

@quelcleite

e-mail rcl134@yahoo.com.br


17 visualizações

Posts recentes

Ver tudo